Se não queres o eco da minha reflexão,
Que o teu pensar preceda o que dizes
A fala é livre, mas o rastro que ela deixa é o destino de quem ouve e de quem diz
Pois a fala, em sua livre expansão,
Pode ser solo de flores ou de cicatrizes
Cria dores que o tempo mal consegue apagar
São marcas invisíveis, cicatrizes no peito,
Que afastam o abraço e impõem o respeito
Ergue-se, então, uma película transparente,
Um muro de vidro entre o sentir e o ser
Que impede o carinho de fluir livremente
E faz a afinidade, aos poucos, esmorecer
Deixamos de ser mais, por medo do corte,
Pois o que foi dito tornou-se um nó forte
Pensa, então, antes que o som ganhe o ar,
Para que a fala venha para unir, e não para isolar
autora: Rosicler Ceschin